[RC2016#3] O Livro da Mulher – Sobre o Poder do Feminino, de Osho

O Livro da Mulhoshoer – Sobre o Poder do Feminino, de Osho

Edição/reimpressão:2008
Páginas: 240
Editor: Pergaminho
ISBN: 9789727111299
Idioma: Português

Sinopse

O que significa ser mulher nos dias de hoje? O que significa dizer que todos nós temos um “lado feminino”? Nesta obra, Osho responde às mais diversas e prementes questões que as mulheres frequentemente se colocam – questões sobre o corpo, a sexualidade, o afecto, o trabalho, a maternidade e a igualdade. Esta obra convida a uma reflexão franca e aberta acerca do papel da mulher no desenvolvimento social, político e espiritual da humanidade, visando a construção de um mundo mais espontâneo e consciente.

Opinião

Esta leitura sai um pouco fora dos padrões do que chamo de “leitura recreativa” mas lê-lo foi uma experiência tão interessante que não quis deixar de incluí-lo no meu desafio anual.

Osho era um pensador extemporâneo, com uma visão do mundo e do ser humano fora do comum para a época em que viveu.

Este livro aborda toda uma série de questões delicadas para as mulheres, às quais Osho responde de uma forma que, inicialmente, nos sacode dos pés à cabeça ou nos puxa o tapete de baixo dos pés.

Os temas são variados, mas todos tocam em algo sensível e faz-nos pensar sobre (pre)conceitos e ideias tão enraízadas na nossa sociedade, que quase já nem damos por eles, mas que nem por isso nos deixam de afectar.

Não é fácil entrar dentro dos seus conceitos, apreender de imediato o que nos diz, pois as suas ideias podem surgir-nos como algo de radical. Considero-me um ser de mentalidade aberta, mas confesso que não foi fácil ler este livro. Melhor dizendo, o ego resistiu até perceber que Osho de facto era um pensador genial, que começando por nos antagonizar com os seus radicalismos, logo a seguir suavizava as palavras e explicava as suas ideias, mostrando de forma clara e segura que tinha razão desde o início.

Definitivamente, todas as mulheres deveriam lê-lo. E os homens também.

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[RC2016#2] Antologia “Nos Limites do Infinito”, Vários Autores

noslimitesdoinfinitoTítulo: Antologia “Nos limites do Infinito”

Nº de páginas: 56

Autores: Ana Cristina Luiz, Ângelo Teodoro, João Rogaciano, Ricardo Dias, Rui Bastos e Yves Robert

Publicação: Editorial Divergência, Dezembro 2015

Sinopse: “Nos Limites do Infinito” transporta-nos para vários mundos da ficção especulativa. Amores que desafiam o tempo, bibliotecas assombradas, histórias enraizadas no interior de Portugal, janelas que nos motivam a fazer o impensável e encontros com a morte fazem parte da nova antologia de autores da Editorial Divergência.

Opinião: Este livro teve para mim um saborzinho especial, já que um dos autores aqui publicados é um dos meus comparsas do grupo de escrita ao qual pertenço (para quem não sabe, o grupo chama-se Polícia Bom, Polícia Mau e tem presença online aqui e aqui) – o Rui Bastos.

O conto com o qual o Rui participa fez parte de algumas sessões em que lhe demos na cab…hum, perdão, em que fizemos críticas altamente construtivas, e que se transformaram num excelente resultado final.

A antologia conta com a participação de outros autores, uns mais conhecidos do que outros, neste micro-universo da FC&F portuguesa, e pode ser adquirida na página da editora.

Feita esta pequena introdução, deixem-me começar por dizer que é, de facto, admirável que apesar do parco investimento das editoras nacionais de “grande porte” na Ficção Científica e na Fantasia de autores portugueses, ainda existam iniciativas do género.

Para mim, o problema deste género de publicação cinge-se sobretudo ao facto de ter pouca visibilidade, uma vez que apenas um pequeno nicho seguramente saberá da sua existência. Por outro lado, talvez este também não seja o melhor exemplo para que se mudem as opiniões e as mentalidades dos leitores.

Não querendo desfazer do trabalho e do talento de cada um, muito menos da iniciativa da editora, ainda assim tenho que dizer que ler esta antologia me deixou com um sentimento de frustração em mãos. Um certo amargo na boca, por assim dizer.

Enquanto antologia, posso dizer que o único fio condutor é o género em que se insere, porque as temáticas e os estilos são bastante díspares. Relativamente aos contos, a título individual, digamos que os leitores mereciam uma edição mais cuidada, tanto no conteúdo como na revisão.Não posso dizer que não gostei do que li, mas a qualidade da escrita é bastante díspar e não me deixou completamente satisfeita porque sei que haveria capacidade para mais e melhor por parte de todos os autores.

Assim sendo, dou-lhe mérito pela iniciatva, mas fica aquém do esperado no que diz respeito à qualidade.

 

[RC 2016 #1] “Mistborn#1 – The Final Empire”, de Brandon Sanderson

mistborn

Título: Mistborn #01 – The Final Empire (Tor, 2006)
Autor: Brandon Sanderson

Opinião:

Falar deste livro é uma tentativa constante em não me atropelar com as palavras.
Já me tinham falado da triologia, já tinha ouvido (bons) elogios ao autor, mas confesso que as três tentativas anteriores em começar a ler este primeiro volume não tinham sido bem sucedidas.
A edição que tenho é a inglesa e em e-book. Perdoem-me, mas continuo a preferir o objecto original, em papel. Isso não quer dizer que não leia em formato digital, porém com tanta coisa na prateleira em fila de espera, há sempre e-books a ficarem para trás.

Talvez por isso tivesse adiado tanto tempo esta leitura. Não devia.
Tenho lido bons livros, mas confesso que este me arrebatou por completo. Brandon Sanderson é um escritor soberbo, que domina as técnicas e as aplica com mestria.
Confesso que nos dias que correm, é difícil para mim ler um livro sem o dissecar. Porém, quando a história me absorve e me faz devorar página atrás de página, dou por mim a alhear-me dos “pormenores técnicos”. Aqui, muitas vezes dei pela táctica adoptada por Sanderson, mas apenas para acabar roída de dor de cotovelo a pensar que gostava de conseguir escrever assim!
Mistborn está traduzido para português, o 1º volume chama-se “O Império Final”, e introduz-nos a um mundo onde a raça dos Skaa vive oprimida pelo Lord Ruler, um tirano (perdoem-me a falta de tradução, mas não sei como foi adaptado para a versão portuguesa…). A partir da cidade de Luthadel, a capital do Império, Lord Ruler governa com mão de ferro sobre a nobreza, controlando tudo e todos com o seu poder.
Vin, uma skaa que cresceu nas ruas com o seu irmão Reen, faz parte de uma equipa de ladrões e contrabandistas. O cabecilha do grupo cedo se apercebe que a presença dela consegue ajudá-lo nos seus negócios, pois Vin parece que consegue influenciar a vontade dos outros à sua volta.
Embora não perceba como o faz, Vin faz-se valer dessa capacidade para conseguir garantir um tecto sobre a sua cabeça e comida no estômago, agora que Reen a abandonou.
É durante um dos golpes, ao tentar influenciar um Obligator durante uma reunião, que Vin atrai as atenções de Kelsier e de Dockson, outros dois foragidos da lei. Mas não são só eles os dois a aperceberem-se dos poderes dela. Também um dos Inquisitors pressentem a tentativa de Vin em usar o seu poder.
É que ela não sabe, mas faz parte de um grupo de seres muito restrito, com capacidades especiais – os Mistborn.
Quando Kelsier a salva das garras do Inquisitor e a convida para se juntar ao seu plano mirabolante para derrubar o Lord Ruler e o Império Final, Vin aceita, não porque acredite na eficácia do plano, mas porque ele parece ser o único capaz de a ensinar a lidar com os recém-descobertos poderes alomânticos.
Mas sendo uma Mistborn, Vin depressa aprende a dominar as suas capacidades e conquista o seu próprio lugar no novo grupo e no plano.
Ao longo do livro, assistimos ao transformar de Vin, aos seus dilemas, aos seus receios, às suas dúvidas e ao seu crescimento. De skaa de rua aos salões da alta nobreza, Vin acaba por conhecer o glamour de uma vida que lhe lhe estivera vedada e sobre a qual nada sabia.
É aí que conhece Elend Venture, o herdeiro de uma família nobre, que lhe demonstra que nem toda a alta sociedade desrespeita os skaa.
Conseguirá Vin levar a cabo o plano até ao fim?
Conseguirá Kelsier derrubar o Lord Ruler?
Isto é o que vos convido também a descobrir.

 

[RC2015#10] A Filha do Papa, de Luis Miguel Rocha

Filha do PapaA Filha do Papa, de Luis Miguel Rocha

Edição/reimpressão:2015
Páginas: 432
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04411-2
Idioma: Português
Sinopse:
Será o antissemitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado?

Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objetivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano – a filha do Papa Pio XII.

Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa.

Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?

Opinião:
Foi uma boa descoberta e que tenho pena de não ter feito mais cedo. Tal como tenho pena de não ter começado pelo primeiro livro onde aparecem alguns dos personagens, mas tal não tira a capacidade ao leitor de compreender a história.
Estamos perante um policial, aliás, um bom policial, onde os capítulos curtos e de ritmo alucinante ainda assim não caem no estilo de padrão americanizado que está tão em voga entre os autores de best-sellers.
Vamo-nos deparando com um narrador externo que nos vai dando a conhecer diversos momentos da acção, tecendo uma teia, aparentemente desconexa, entre os vários acontecimentos. E se no início aparentam não ter uma ligação, é porque o autor consegue não ser óbvio, nem cair em lugares comuns.
O final é surpreendente e aquilo que tenho mais pena do que não ter lido os volumes anteriores, é de não ter a oportunidade de ler um possível seguimento, já que o autor faleceu de forma precoce.
A única parte menos boa a apontar – e nem sequer é um defeito – é a quantidade de info dump em certos momentos do livro. Ainda assim, tendo em conta que o enredo anda à volta do processo de canonização de um Papa, cuja história de vida só é conhecida até determinado ponto, não é de admirar que fosse necessário fazê-lo. É uma tarefa complicada, que exige que se pense bem até que ponto pode ser o narrador a fazê-lo, correndo-se o risco de tornar o texto demasiado massudo e até académico. Por outro lado, conseguir fazê-lo através do diálogo é arriscado, já que pode sair demasiado forçado. Houve aqui neste livro momentos melhor conseguidos do que outros, mas no geral estamos perante uma obra bem escrita.
Definitivamente, recomendo.

[RC2015#9] O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, de Jonas Jonasson

Centenário

O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, de Jonas Jonasson
Edição/reimpressão:2015
Páginas: 368
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04301-6
Idioma: Português

Sinopse

No dia em que Allan Karlsson celebra 100 anos, toda a cidade o aguarda para uma grande festa em sua honra.
Mas Allan tem outros planos… Morrer de velho? Sim, mas não ali!
Munido de um par de chinelos gastos, joelhos empenados e uma ousadia tremenda, Allan lança-se numa extraordinária aventura, arrastado numa torrente de equívocos e golpes de sorte.
E ao mesmo tempo que acompanhamos a sua última viagem (ou será que não?), conhecemos o seu passado, perdido entre guerras, explosões e mulheres fatais – qual delas a mais perigosa!
Uma estreia literária impressionante que conquistou centenas de milhares de fãs.

Opinião:

Porque demorei eu tanto tempo a ler um livro tão bom?
É simples, falta de tempo, porque o livro tem tudo para ser devorado num instantinho.
Não é um livro complexo, não é um livro que se diga ter um ritmo vertiginoso de acontecimentos, nem tão pouco nos presenteia com dissertações secantes. Bolas, antes pelo contrário!
Aqui encontramos um personagem principal desprovido de qualquer conceito de ética e moral, mas que por se reger a vida toda pelas suas próprias convicções, se torna verosímil e fácil de aceitar.
E se o centenário é “delicioso” de se conhecer, os outros personagens não lhe ficam atrás.
Estou super curiosa em ver o filme que fizeram, baseado nesta história, para ver se cumpre o objectivo e se capta o ambiente burlesco do livro.
Definitivamente, aconselho.

[RC2015#8] Em Nome do Pai, de Nuno Lobo Antunes

Em Nome do PaiEm Nome do Pai by Nuno Lobo Antunes

Sinopse:

Do alto de um outeiro, à sombra da figueira em que Judas se enforcou, São José contempla toda uma vida – a sua, que hoje chega ao fim. É ali que ele irá morrer, naquele pedaço de chão árido, de onde se avista Jerusalém. Faltam-lhe as forças, pesam-lhe os anos, os remorsos, a dúvida. E a raiva também, pois, apesar de ter cumprido os preceitos da Lei, foi-lhe negada a paz de espírito. Assim entendeu o Criador, que tomou como Sua a mulher que lhe estava prometida, e nela plantou a semente de um filho bastardo – Jesus. José não compreende esse Deus, que põe e dispõe dos homens, esse Criador que não respeita a obra criada, que nega o livre arbítrio, que envia o filho à terra e o deixa morrer na cruz, como um ladrão. Por isso hoje, entre o nascer e o pôr do sol, o carpinteiro vai armar-se de razões e julgar quem de tudo deveria ser juiz. Em Nome do Pai é uma extraordinária obra de ficção, que ilumina uma das personagens menos conhecidas da Bíblia. O pai de Jesus, que nas sagradas escrituras pouco passa de uma nota de rodapé, tem agora uma história, um passado. E um corpo de chocante carnalidade, atormentado pelo desejo, por uma mente demasiado lúcida para aceitar como boas as palavras do Senhor. Nuno Lobo Antunes molda o romance com o desvelo de um artesão, esculpe cuidadosamente cada frase, reconstitui com rigor a vida nos tempos de Jesus – cria, ele próprio, uma obra de arte.

My rating: 4 of 5 stars

Tive este livro tanto tempo em cima da minha mesa de cabeceira e hoje em dia apetece-me esbofetear-me por não tê-lo lido mais cedo.
Nuno Lobo Antunes foi daqueles autores que me caiu nas boas graças logo depois dos primeiros parágrafos, pela calma sabedoria como nos conduz pelo trajecto de uma vida supostamente conhecida, mas que afinal não o é.

Contado na primeira pessoa, José – o pai terreno de Jesus – dá-nos a sua visão de homem, uma visão à qual normalmente não temos acesso, já que normalmente pouco se fala dele. Aqui, é-nos apresentado como um homem em toda a acepção da palavra – é alguém que pensa por si próprio, que sente, que não aceita tudo como garantido, que se revolta, que deseja. Em suma, um personagem completo e autêntico que assume o devido protagonismo.

Confesso que receei que o autor se perdesse pelo meio, com as outras histórias que se cruzam com a dele mas felizmente não aconteceu. Aqui, Maria assume um papel que pouco deixa perceber o seu verdadeiro carácter e o próprio Jesus aparece sem qualquer tipo de protagonismo. Ambos nos são dados como dois dos causadores do sofrimento de José e da sua partida em busca da sabedoria.

Talvez tenha achado o final algo precipitado. Senti que ali ficou qualquer coisa em falta. Algo por dizer ou por contar. Mas no geral adorei!

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[RC2015#7] A Ameaça, de Ken Follett

A AmeaçaA Ameaça by Ken Follett
Unanimemente considerado um dos mestres actuais do policial, Ken Follett tem a capacidade única de, a cada novo romance, reinventar o próprio thriller. Em A Ameaça, um poderoso agente antiviral desaparece misteriosamente das instalações da Oxenford Medical, uma empresa farmacêutica que está a desenvolver um antivírus para uma das mais perigosas variedades do Ébola. Quem o poderá ter roubado? E com que obscuras intenções? Toni Gallo, responsável pela segurança da empresa, está profundamente consciente da terrível ameaça que o seu desaparecimento pode significar. Mas o que Toni, Stanley Oxenford, o director da empresa, e a própria polícia vão encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios… Traições, violência, heroísmo e paixão num thriller absolutamente brilhante.

My rating: 2 of 5 stars

Não tinha lido nada de Ken Follett e confesso que, se não houvesse já duas séries televisivas baseadas em duas das suas obras, não me parece que repetisse a experiência tão cedo.

Entenda-se que no final até acabei por apreciar o que ele fez com o enredo. De não perceber onde algumas das partes da história me iriam levar ou a importância que viriam a ter.
Do que não gostei foi da tentativa (parva) de meter um romance entre a protagonista e o patrão. Claramente uma crise de meia-idade do Mr. Follett, com todo o respeito pelo autor, mas que aqui me fez revirar os olhos.

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